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domingo, 8 de maio de 2011

O amor não existe.


o amor não existe
descobri um dia desses
quando andava pelo parque
sentindo o cheiro das árvores
pela manhã

o amor não existe
mas isso não significa
que deus não existe
pois só o amor dele existe

mas talvez ele nem exista
sei lá, não sou ateu
mas às vezes, simplesmente
as pessoas não existem
como o amor... certo?

algumas coisas não existem
como não existir não existe
tipo, como você pode não existir,
se o 'você' já faz parte do existir?
não necessariamente...
será?

é meio louco assim dizer
que o amor não existe
choca as pessoas e tal
e isso não é legal
ou não...

infelizmente, meu caro
tenho que te dizer
o amor realmente não existe
pois esse amor que tem aí

tá pra lá de ultrapassado
sei lá, sem graça demais
futilmente banalizado
amor deve ser...

uma dessas invenções
que eles fazem em hollywood
como aqueles corações
meio a meio, que não existem

pô, você já viu um coração?
vamos ser realistas, né
num é daquele jeito
todo bonitinho e simétrico
é todo ensanguentado
parece mais uma mão...

sei não, sangue é legal...
mas sangrar não, porque dói
mas o vermelho é interessante
por que lembra um hidrante

na verdade é por que lembra
fome, fogo e paixão...
mas não amor, isso aí
com certeza, não existe não...

tá, eu admito
ele pode até existir
mas se ele existir, como já falei
não vai ser como os que tem aí

que já vem todo rotulado
já tem um prazo de validade
só falta ter a mensagem
"conservar em geladeira após aberto"
igual a outros enlatados...

amor passional, meio overrated
meio piegas, café com leite
o meu é melhor, por que ele existe
mesmo tendo a audácia de não existir

pois se esse amor que tem nos filmes
for uma invenção cultural
o meu amor, não vai ser desses
tão piegas e banal...






[nota do autor: talvez depois eu complemente esse poema, mas não consegui arranjar um final melhor, só o que vieram foram reticências e mais reticências, porém o final tá bem reflexivo(acho), é importante questionar questões estruturais como essa, são dessas perguntas que partem a base da filosofia: o que o amor, de onde vem deus, de onde viemos e para onde vamos, etc... se você observar nos primórdios da história pode ver que muitas das sensações que temos atualmente são inventadas, por exemplo não creio que haviam relatos sobre a palavra felicidade nos tempos antigos, é um conceito muito moderno baseado em expectativas muito abstratas e subjetivas, assim como o 'amor' que vemos nas telas e no nosso dia a dia, particularmente prefiro deixar secreta minha opinião(real e não-lírica) sobre tais assuntos pois se eu contar muita coisa quebra toda a magia do poema. Os mentalmente neófitos(lê-se néscio) e apegados à suas estruturas e condicionamentos provavelmente criticarão, mas verso livre é verso livre e acredito que meus leitores sejam mais espertos que isso (: ]

2 comentários:

Sara Lorraine disse...

bom, verso livre é verso livre... acho que tem um toque de bom humor misturado à incerteza...no fundo acho que fala um pouco de medo, um medo que particularmente eu tenho, o medo de viver essa vida "inventada" que todos vivem. Concordo que estamos em uma era que a maioria dos relacionamento são para "vitrine". Isso, acho que vc nao está falando sobre o amor, mas sim do medo de nunca amar de verdade e deixar-se envolver por aquilo que todos hj chamam de amor mas nao passa de um comercial, uma amostra de vida, uma imagem que foge e muito do amor incondicional, do amor que pode ultrapassar barreiras mas que nao é perfeito porque depois do "the end" tem brigas e concessoes.

Isaac disse...

Amor = Humor :)